O que é, se faz possível
De todas as formas, e me disse
Em forma de borboleta: Amar
Além do concreto
Além do asfalto
Além do muro erguido
Além da fumaça
Além do mormaço
Além da linha de fogo, troca de tiros
Além do semáforo
Além da faixa de atropelamento
Pare. Atenção. Siga. Na contramão persista
Além do tráfego
Além do tráfico de
Órgão. Corpos. Seres vivos e não-vivos
Além do alçar vôo
De crianças de sete anos
Aeroporto de âncoras enferrujadas, kamikazes
de sonhos
Além dos sorrisos descoloridos
Além dos ternos monocromo-acinzentados
Além dos passos rápidos por falta de motivos
Além das janelas de repartições
Além de birôs de departamentos
Além de varas de jurisdições
Além de protocolos
Além das fixas de cadastros
Preenchimentos de segundas vias
Além de pulos de prédios com quinze andares
Além de jogar-se no trilho do trem
Além do compulsivo esbelto, anfetaminas.
Além, muito além de qualquer
Cerca eletrificada, documento de propriedade
Numero de identidade, registro civil
Além de nós mesmos, dentro de si mesmo
Além do olho-bisturi e ouvidos-ratoeira
Além da boca castradora
Encontrei céu aquarelado
Encontrei azul, nublado
Alaranjado, multicolor
Encontrei flores amarelas
Encontrei vermelho, rosa
Encontrei Mandacaru, Uricuri, Juá
Encontrei o pote
Onde fadas guardam perfumes
Polens reluzentes primaveris
Encontrei o pote dos duendes
E não havia as minhas sandálias
Achei seixos com pinturas de mandalas
Encontrei o pote onde arco-íris
Deságua, borboletas e grilos
Tocam a música que flori o sertão
Encontrei casa de oito lados
Cajueiros aos quais eu era neto
Encontrei ganso ou pato ou marreco ou Geraldo
Encontrei o caminho das pedras
Que rodopiavam até o Ganges
Lugar sagrado onde me encontrei
Encontrei a fogueira da minha inteireza
Onde o cacique alisa meus cabelos
Aquece minha face, afaga meus sonhos
Encontrei cura, sanação pelas mãos
Através das mãos, meditação
Sob estrelas e lua plena
Encontrei pedras altas
Onde o vale encantado se mostrava
Como grande sorriso de amor
Encontrei a bruxa branca
Semeadora do transformar
Encontrei-me novamente, ah... Marizá.
Por Philippe Wollney
"Que Deus nos livre de uma visão única do sono de Newton" William Blake
domingo, 30 de agosto de 2009
As Peles do Homem - As Casas de Deus
Assim como a Mãe e seu Filho(a) compreendem, através de uma sabedoria Maior, um ao outro,
relacionando-se numa dança Sagrada, nuntrindo-se...
assim é a Sagrada Relação de todos os filhos e a Terra Mãe.
Nutrir-se um ao outro? não é a Mãe que sempre nutre ao filho?
...que é amamentado e sustentado por Sua Mãe?
de um certo ponto de vista isso é verdade...
entretanto também nutrimos nossa Mãe com partcipação ativa/criativa
... os fihos/as atingem sua maturidade e essa interação passa por suas transformações,
de filho, agora maduro ele(a) se transforma em amante, esposo e pai.
Um amante que agora ama a Terra,
um esposo que agora ama e semeia a Terra
um Pai que agora cuida da Terra e de seus filhos,
junto da agora Mãe, Esposa e Anciã.
E é Como Anciã a Terra nos diz sua Sabedoria.
Entretanto esquecemos como é ser Filhos,
quiçá esposos, e mais ainda não sabemos co-criar com a Terra, não sabemos ser Pai/Mãe com a Terra.
não sabemos mais ouvi-la como anciã.
"As Peles do Homem - As Casas de Deus"
propõem esse reaprendizado,
inspirado no trabalho do Austríaco Hunderwatsser,
que nos diz sobre As Peles do Homem(Ser Humano):
a primeira pele a Epiderme,
a Segunda pele nossa Roupa,
a terceira Pele a Casa,
a quarta pele a Sociedade, as relações,
a quinta pele o Eco, o Ambiente a Terra...
Já de saída essa concepção nos remete à responsabilidade enquanto parte ativa,
afetantes/afetados por todas as "peles"
d'onde cada pele influencia e é influenciada pelas outras...
todas "Casas de Deus"
onde agora não mais o Homem (ser humano) ocupa um lugar central/antropocêntrico
mas sim como sendo mais uma manifestação do Divino, da Divindade, de Deus Mãe Pai, que habita em todas as coisas,
em todas as "Casas", em todas as Peles.
E é aqui que entra a Permacultura,
como uma ciência Integrativa
que compreende as peles do Homem,
que compreende a integração entre as peles do Homem
e as Casas de Deus
fonte: http://www.humanaterra.blogspot.com/
relacionando-se numa dança Sagrada, nuntrindo-se...
assim é a Sagrada Relação de todos os filhos e a Terra Mãe.
Nutrir-se um ao outro? não é a Mãe que sempre nutre ao filho?
...que é amamentado e sustentado por Sua Mãe?
de um certo ponto de vista isso é verdade...
entretanto também nutrimos nossa Mãe com partcipação ativa/criativa
... os fihos/as atingem sua maturidade e essa interação passa por suas transformações,
de filho, agora maduro ele(a) se transforma em amante, esposo e pai.
Um amante que agora ama a Terra,
um esposo que agora ama e semeia a Terra
um Pai que agora cuida da Terra e de seus filhos,
junto da agora Mãe, Esposa e Anciã.
E é Como Anciã a Terra nos diz sua Sabedoria.
Entretanto esquecemos como é ser Filhos,
quiçá esposos, e mais ainda não sabemos co-criar com a Terra, não sabemos ser Pai/Mãe com a Terra.
não sabemos mais ouvi-la como anciã.
"As Peles do Homem - As Casas de Deus"
propõem esse reaprendizado,
inspirado no trabalho do Austríaco Hunderwatsser,
que nos diz sobre As Peles do Homem(Ser Humano):
a primeira pele a Epiderme,
a Segunda pele nossa Roupa,
a terceira Pele a Casa,
a quarta pele a Sociedade, as relações,
a quinta pele o Eco, o Ambiente a Terra...
Já de saída essa concepção nos remete à responsabilidade enquanto parte ativa,
afetantes/afetados por todas as "peles"
d'onde cada pele influencia e é influenciada pelas outras...
todas "Casas de Deus"
onde agora não mais o Homem (ser humano) ocupa um lugar central/antropocêntrico
mas sim como sendo mais uma manifestação do Divino, da Divindade, de Deus Mãe Pai, que habita em todas as coisas,
em todas as "Casas", em todas as Peles.
E é aqui que entra a Permacultura,
como uma ciência Integrativa
que compreende as peles do Homem,
que compreende a integração entre as peles do Homem
e as Casas de Deus
fonte: http://www.humanaterra.blogspot.com/
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
Passagem do Sertão...
"...esta visão realista materialista do mundo exilou-nos do mundo encantado em que vivíamos no passado e condenou-nos a um mundo alienígena. Quem, senão um exilado, arriscar-se-ia a destruir esta bela terra com a guerra nuclear e a poluição ambiental? Sentirmo-nos como exilados solapa nosso incentivo para mudar a perspectiva. Condicionaram-nos a acreditar que somos máquinas - que todas as nossas ações são determinadas pelos estímulos que recebemos e por nosso condicionamento anterior. Como exilados, não temos responsabilidade nem escolha. E o livre-arbítrio é uma miragem."
fonte: Amit Goswami - O UNIVERSO AUTOCONSCIENTE (consultado na biblioteca do Marizá Epicentro)
http://www.scribd.com/doc/3079992/Amit-Goswami-O-UNIVERSO-AUTOCONSCIENTE-Como-a-Consciencia-Cria-o-Mundo-Material?autodown=pdf
fonte: Amit Goswami - O UNIVERSO AUTOCONSCIENTE (consultado na biblioteca do Marizá Epicentro)
http://www.scribd.com/doc/3079992/Amit-Goswami-O-UNIVERSO-AUTOCONSCIENTE-Como-a-Consciencia-Cria-o-Mundo-Material?autodown=pdf
terça-feira, 30 de junho de 2009
Pequenas citações
AOS ESFARRAPADOS DO MUNDO
E AOS QUE NELES SE
DESCOBREM E, ASSIM
DESCOBRINDO-SE, COM ELES
SOFREM, MAS, SOBRETUDO,
COM ELES LUTAM.
(Paulo Freire, Pedagogia do Oprimido)
http://www.scribd.com/doc/16963665/Paulo-Freire-Pedagogia-do-Oprimido
"Assistimos ao esforço fantástico dos monopolizadores do ter, do saber e do poder para nos reduzir a simples galinhas. Para nos manter somente nos limites estritos do galinheiro e do terreiro. Para nos subordinar aos seus interesses. Eles são os principais responsáveis pelas ameaças de devastação e de autodestruição que pesam sobre a Terra e sobre toda a humanidade. Para continuar a usufruir dos privilégios usurpados, se fazem surdos ao clamor dos milhões e milhões de sofredores de todo o mundo e surdos ao grito lancinante da Terra. Atrevem-se a sufocar nossa águia interior, águia que nos impulsiona a gritar, a protestar, a resistir e a buscar caminhos de libertação."
(Leonardo Boff, A Águia e a Galinha)
http://www.scribd.com/doc/16963652/Leonardo-Boff-A-Aguia-E-A-Galinha
E AOS QUE NELES SE
DESCOBREM E, ASSIM
DESCOBRINDO-SE, COM ELES
SOFREM, MAS, SOBRETUDO,
COM ELES LUTAM.
(Paulo Freire, Pedagogia do Oprimido)
http://www.scribd.com/doc/16963665/Paulo-Freire-Pedagogia-do-Oprimido
"Assistimos ao esforço fantástico dos monopolizadores do ter, do saber e do poder para nos reduzir a simples galinhas. Para nos manter somente nos limites estritos do galinheiro e do terreiro. Para nos subordinar aos seus interesses. Eles são os principais responsáveis pelas ameaças de devastação e de autodestruição que pesam sobre a Terra e sobre toda a humanidade. Para continuar a usufruir dos privilégios usurpados, se fazem surdos ao clamor dos milhões e milhões de sofredores de todo o mundo e surdos ao grito lancinante da Terra. Atrevem-se a sufocar nossa águia interior, águia que nos impulsiona a gritar, a protestar, a resistir e a buscar caminhos de libertação."
(Leonardo Boff, A Águia e a Galinha)
http://www.scribd.com/doc/16963652/Leonardo-Boff-A-Aguia-E-A-Galinha
domingo, 14 de junho de 2009
Documentário sobre construção com terra
FIRST EARTH - Uncompromising Ecological Architecture
http://www.youtube.com/watch?v=DuDkfuziZiI
http://www.youtube.com/watch?v=DuDkfuziZiI
sábado, 13 de junho de 2009
Desafio Ético
Ao viajar pelo Oriente, mantive contatos com monges do Tibete,
da Mongólia, do Japão e da China.
Eram homens serenos, comedidos, recolhidos em paz em seus
mantos cor de açafrão.
Outro dia, eu observava o movimento do aeroporto de São Paulo: a
sala de espera cheia de executivos,
com telefones celulares, preocupados, ansiosos, geralmente
comendo mais do que deviam.
Com certeza, já haviam tomado café da manhã em casa,
mas como a companhia aérea oferecia um outro café, todos
comiam vorazmente.
Aquilo me fez refletir: "Qual dos dois modelos produz felicidade?"
Encontrei Daniela, 10 anos, no elevador, às nove da manhã, e
perguntei: "Não foi à aula?"
Ela respondeu: "Não, tenho aula à tarde".
Comemorei: "Que bom, então de manhã você pode brincar, dormir
até mais tarde".
"Não", retrucou ela, "tenho tanta coisa de manhã..." "Que tanta
coisa?", perguntei.
"Aulas de inglês, de balé, de pintura, piscina", e começou a elencar
seu programa de garota robotizada.
Fiquei pensando: "Que pena, a Daniela não disse: "Tenho aula de
meditação!"
Estamos construindo super-homens e super-mulheres, totalmente
equipados, mas emocionalmente infantilizados.
Por isso as empresas consideram agora que, mais importante que o
QI, é a IE, a Inteligência Emocional.
Não adianta ser um super-executivo se não se consegue se
relacionar com as pessoas.
Ora, como seria importante os currículos escolares incluírem aulas
de meditação!
Uma progressista cidade do interior de São Paulo tinha, em 1960,
seis livrarias e uma academia de ginástica;
hoje, tem sessenta academias de ginástica e três livrarias!
Não tenho nada contra malhar o corpo, mas me preocupo com a
desproporção em relação à malhação do espírito.
Acho ótimo, vamos todos morrer esbeltos:
"Como estava o defunto?".
"Olha, uma maravilha, não tinha uma celulite!"
Mas como fica a questão da subjetividade? Da espiritualidade? Da
ociosidade amorosa?
Outrora, falava-se em realidade: análise da realidade, inserir- se
na realidade, conhecer a realidade.
Hoje, a palavra é virtualidade. Tudo é virtual.
Pode-se fazer sexo virtual pela internet: não se pega AIDS, não há
envolvimento emocional, controla- se no mouse.
Trancado em seu quarto, em Brasília, um homem pode ter uma
amiga íntima em Tóquio, sem nenhuma preocupação de conhecer o
seu vizinho de prédio ou de quadra!
Tudo é virtual, entramos na virtualidade de todos os valores, não
há compromisso com o real!
É muito grave esse processo de abstração da linguagem, de
sentimentos:
somos místicos virtuais, religiosos virtuais, cidadãos virtuais.
Enquanto isso, a realidade vai por outro lado, pois somos também
eticamente virtuais.
A cultura começa onde a natureza termina. Cultura é o
refinamento do espírito.
Televisão, no Brasil - com raras e honrosas exceções -, é um
problema:
a cada semana que passa, temos a sensação de que ficamos um
pouco menos cultos.
A palavra hoje é 'entretenimento' ; domingo, então, é o dia
nacional da imbecilização coletiva.
Imbecil o apresentador, imbecil quem vai lá e se apresenta no
palco, imbecil quem perde a tarde diante da tela.
Como a publicidade não consegue vender felicidade, passa a ilusão
de que felicidade é o resultado da soma de prazeres:
"Se tomar este refrigerante, vestir este tênis, usar esta camisa,
comprar este carro, você chega lá!"
O problema é que, em geral, não se chega!
Quem cede desenvolve de tal maneira o desejo, que acaba
precisando de um analista.
Ou de remédios. Quem resiste, aumenta a neurose.
Os psicanalistas tentam descobrir o que fazer com o desejo dos
seus pacientes. Colocá-los onde?
Eu, que não sou da área, posso me dar o direito de apresentar uma
sugestão.
Acho que só há uma saída: virar o desejo para dentro.
Porque, para fora, ele não tem aonde ir!
O grande desafio é virar o desejo para dentro, gostar de si mesmo,
começar a ver o quanto é bom ser livre de todo esse
condicionamento globalizante, neoliberal, consumista.
Assim, pode-se viver melhor.
Aliás, para uma boa saúde mental três requisitos são
indispensáveis:
amizades, auto-estima, ausência de estresse.
Há uma lógica religiosa no consumismo pós-moderno.
Se alguém vai à Europa e visita uma pequena cidade onde há uma
catedral, deve procurar saber a história daquela cidade - a
catedral é o sinal de que ela tem história.
Na Idade Média, as cidades adquiriam status construindo uma
catedral; hoje, no Brasil, constrói-se um shopping center.
É curioso: a maioria dos shopping centers tem linhas arquitetônicas
de catedrais estilizadas;
neles não se pode ir de qualquer maneira, é preciso vestir roupa
de missa de domingos.
E ali dentro sente-se uma sensação paradisíaca: não há mendigos,
crianças de rua, sujeira pelas calçadas...
Entra-se naqueles claustros ao som do gregoriano pós-moderno,
aquela musiquinha de esperar dentista.
Observam-se os vários nichos, todas aquelas capelas com os
veneráveis objetos de consumo, acolitados por belas sacerdotisas.
Quem pode comprar à vista, sente- se no reino dos céus.
Se deve passar cheque pré-datado, pagar a crédito, entrar no
cheque especial, sente-se no purgatório.
Mas se não pode comprar, certamente vai se sentir no inferno...
Felizmente, terminam todos na eucaristia pós-moderna, irmanados
na mesma mesa, com o mesmo suco e o mesmo hambúrguer do
McDonald's.
Costumo advertir os balconistas que me cercam à porta das lojas:
"Estou apenas fazendo um passeio socrático."
Diante de seus olhares espantados, explico:
Sócrates, filósofo grego, também gostava de descansar a cabeça
percorrendo o centro comercial de Atenas.
Quando vendedores como vocês o assediavam, ele respondia:
"Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso
para ser feliz."
Frei Betto é escritor, autor, em parceria com Luis Fernando
Veríssimo e outros, de "O desafio ético" (Garamond).
fonte: http://www.scribd.com/doc/16117339/Desafio-Etico-Frei-Betto
da Mongólia, do Japão e da China.
Eram homens serenos, comedidos, recolhidos em paz em seus
mantos cor de açafrão.
Outro dia, eu observava o movimento do aeroporto de São Paulo: a
sala de espera cheia de executivos,
com telefones celulares, preocupados, ansiosos, geralmente
comendo mais do que deviam.
Com certeza, já haviam tomado café da manhã em casa,
mas como a companhia aérea oferecia um outro café, todos
comiam vorazmente.
Aquilo me fez refletir: "Qual dos dois modelos produz felicidade?"
Encontrei Daniela, 10 anos, no elevador, às nove da manhã, e
perguntei: "Não foi à aula?"
Ela respondeu: "Não, tenho aula à tarde".
Comemorei: "Que bom, então de manhã você pode brincar, dormir
até mais tarde".
"Não", retrucou ela, "tenho tanta coisa de manhã..." "Que tanta
coisa?", perguntei.
"Aulas de inglês, de balé, de pintura, piscina", e começou a elencar
seu programa de garota robotizada.
Fiquei pensando: "Que pena, a Daniela não disse: "Tenho aula de
meditação!"
Estamos construindo super-homens e super-mulheres, totalmente
equipados, mas emocionalmente infantilizados.
Por isso as empresas consideram agora que, mais importante que o
QI, é a IE, a Inteligência Emocional.
Não adianta ser um super-executivo se não se consegue se
relacionar com as pessoas.
Ora, como seria importante os currículos escolares incluírem aulas
de meditação!
Uma progressista cidade do interior de São Paulo tinha, em 1960,
seis livrarias e uma academia de ginástica;
hoje, tem sessenta academias de ginástica e três livrarias!
Não tenho nada contra malhar o corpo, mas me preocupo com a
desproporção em relação à malhação do espírito.
Acho ótimo, vamos todos morrer esbeltos:
"Como estava o defunto?".
"Olha, uma maravilha, não tinha uma celulite!"
Mas como fica a questão da subjetividade? Da espiritualidade? Da
ociosidade amorosa?
Outrora, falava-se em realidade: análise da realidade, inserir- se
na realidade, conhecer a realidade.
Hoje, a palavra é virtualidade. Tudo é virtual.
Pode-se fazer sexo virtual pela internet: não se pega AIDS, não há
envolvimento emocional, controla- se no mouse.
Trancado em seu quarto, em Brasília, um homem pode ter uma
amiga íntima em Tóquio, sem nenhuma preocupação de conhecer o
seu vizinho de prédio ou de quadra!
Tudo é virtual, entramos na virtualidade de todos os valores, não
há compromisso com o real!
É muito grave esse processo de abstração da linguagem, de
sentimentos:
somos místicos virtuais, religiosos virtuais, cidadãos virtuais.
Enquanto isso, a realidade vai por outro lado, pois somos também
eticamente virtuais.
A cultura começa onde a natureza termina. Cultura é o
refinamento do espírito.
Televisão, no Brasil - com raras e honrosas exceções -, é um
problema:
a cada semana que passa, temos a sensação de que ficamos um
pouco menos cultos.
A palavra hoje é 'entretenimento' ; domingo, então, é o dia
nacional da imbecilização coletiva.
Imbecil o apresentador, imbecil quem vai lá e se apresenta no
palco, imbecil quem perde a tarde diante da tela.
Como a publicidade não consegue vender felicidade, passa a ilusão
de que felicidade é o resultado da soma de prazeres:
"Se tomar este refrigerante, vestir este tênis, usar esta camisa,
comprar este carro, você chega lá!"
O problema é que, em geral, não se chega!
Quem cede desenvolve de tal maneira o desejo, que acaba
precisando de um analista.
Ou de remédios. Quem resiste, aumenta a neurose.
Os psicanalistas tentam descobrir o que fazer com o desejo dos
seus pacientes. Colocá-los onde?
Eu, que não sou da área, posso me dar o direito de apresentar uma
sugestão.
Acho que só há uma saída: virar o desejo para dentro.
Porque, para fora, ele não tem aonde ir!
O grande desafio é virar o desejo para dentro, gostar de si mesmo,
começar a ver o quanto é bom ser livre de todo esse
condicionamento globalizante, neoliberal, consumista.
Assim, pode-se viver melhor.
Aliás, para uma boa saúde mental três requisitos são
indispensáveis:
amizades, auto-estima, ausência de estresse.
Há uma lógica religiosa no consumismo pós-moderno.
Se alguém vai à Europa e visita uma pequena cidade onde há uma
catedral, deve procurar saber a história daquela cidade - a
catedral é o sinal de que ela tem história.
Na Idade Média, as cidades adquiriam status construindo uma
catedral; hoje, no Brasil, constrói-se um shopping center.
É curioso: a maioria dos shopping centers tem linhas arquitetônicas
de catedrais estilizadas;
neles não se pode ir de qualquer maneira, é preciso vestir roupa
de missa de domingos.
E ali dentro sente-se uma sensação paradisíaca: não há mendigos,
crianças de rua, sujeira pelas calçadas...
Entra-se naqueles claustros ao som do gregoriano pós-moderno,
aquela musiquinha de esperar dentista.
Observam-se os vários nichos, todas aquelas capelas com os
veneráveis objetos de consumo, acolitados por belas sacerdotisas.
Quem pode comprar à vista, sente- se no reino dos céus.
Se deve passar cheque pré-datado, pagar a crédito, entrar no
cheque especial, sente-se no purgatório.
Mas se não pode comprar, certamente vai se sentir no inferno...
Felizmente, terminam todos na eucaristia pós-moderna, irmanados
na mesma mesa, com o mesmo suco e o mesmo hambúrguer do
McDonald's.
Costumo advertir os balconistas que me cercam à porta das lojas:
"Estou apenas fazendo um passeio socrático."
Diante de seus olhares espantados, explico:
Sócrates, filósofo grego, também gostava de descansar a cabeça
percorrendo o centro comercial de Atenas.
Quando vendedores como vocês o assediavam, ele respondia:
"Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso
para ser feliz."
Frei Betto é escritor, autor, em parceria com Luis Fernando
Veríssimo e outros, de "O desafio ético" (Garamond).
fonte: http://www.scribd.com/doc/16117339/Desafio-Etico-Frei-Betto
quarta-feira, 27 de maio de 2009
Sonhos - O POVOADO DOS MOINHOS -
Trecho do filme Sonhos de Akira Kurosawa.
Sonhos
“Akira Kurosawa Dreams”
Viajante -- Qual o nome deste povoado?
Ancião -- Não tem. Só chamamos de "O Povoado". Alguns chamam de Povoado do Moinho.
Viajante -- Todos os habitantes moram aqui?
Ancião -- Não. Moram em outros lugares.
Viajante -- Não há eletricidade aqui?
Ancião -- Não precisamos. As pessoas acostumam-se ao conforto. Acham que o conforto é melhor. Rejeitam o que é realmente bom.
Viajante -- Mas, e as luzes?
Ancião -- Temos velas e óleo de linhaça.
Viajante -- Mas a noite é tão escura.
Ancião -- Sim a noite tem de ser assim. Por que a noite deveria ser clara como o dia? Eu não gostaria de não conseguir ver as estrelas à noite.
Viajante -- O senhor tem arrozais. Mas não tem tratores para cultivá-los?
Ancião -- Não precisamos. Temos bois e cavalos.
Viajante -- O que usa como combustível?
Ancião -- Lenha principalmente. Não achamos certo cortar árvores mas bastam aquelas que caem sozinhas. Nós a cortamos e a usamos como lenha. E, se você fizer carvão com a madeira poucas árvores gerarão tanto calor quanto uma floresta inteira. O esterco de vaca também é um bom combustível. Tentamos viver do modo como o homem vivia antigamente. É o modo natural de viver. Hoje em dia, as pessoas se esquecem de que elas são só uma parte da natureza. Destroem a natureza da qual nossa vida depende. Acham que sempre podem criar algo melhor. Sobretudo os estudiosos. Eles podem ser inteligentes mas a maioria não entende o coração da natureza. Eles só criam coisas que acabam tornando as pessoas infelizes. Mesmo assim, orgulham-se tanto de suas invenções. E, o que é pior, a maioria das pessoas também se orgulha. Elas as vêem como milagres. Idolatram-nas. Elas não sabem, mas estão perdendo a natureza. Não percebem que vão morrer. As coisas mais importantes para os seres humanos são ar limpo e água limpa e as árvores e plantas nos dão isso. Tudo está sendo sujado, poluído para sempre. Ar sujo, água suja, sujando o coração dos homens.
Sonhos
“Akira Kurosawa Dreams”
Viajante -- Qual o nome deste povoado?
Ancião -- Não tem. Só chamamos de "O Povoado". Alguns chamam de Povoado do Moinho.
Viajante -- Todos os habitantes moram aqui?
Ancião -- Não. Moram em outros lugares.
Viajante -- Não há eletricidade aqui?
Ancião -- Não precisamos. As pessoas acostumam-se ao conforto. Acham que o conforto é melhor. Rejeitam o que é realmente bom.
Viajante -- Mas, e as luzes?
Ancião -- Temos velas e óleo de linhaça.
Viajante -- Mas a noite é tão escura.
Ancião -- Sim a noite tem de ser assim. Por que a noite deveria ser clara como o dia? Eu não gostaria de não conseguir ver as estrelas à noite.
Viajante -- O senhor tem arrozais. Mas não tem tratores para cultivá-los?
Ancião -- Não precisamos. Temos bois e cavalos.
Viajante -- O que usa como combustível?
Ancião -- Lenha principalmente. Não achamos certo cortar árvores mas bastam aquelas que caem sozinhas. Nós a cortamos e a usamos como lenha. E, se você fizer carvão com a madeira poucas árvores gerarão tanto calor quanto uma floresta inteira. O esterco de vaca também é um bom combustível. Tentamos viver do modo como o homem vivia antigamente. É o modo natural de viver. Hoje em dia, as pessoas se esquecem de que elas são só uma parte da natureza. Destroem a natureza da qual nossa vida depende. Acham que sempre podem criar algo melhor. Sobretudo os estudiosos. Eles podem ser inteligentes mas a maioria não entende o coração da natureza. Eles só criam coisas que acabam tornando as pessoas infelizes. Mesmo assim, orgulham-se tanto de suas invenções. E, o que é pior, a maioria das pessoas também se orgulha. Elas as vêem como milagres. Idolatram-nas. Elas não sabem, mas estão perdendo a natureza. Não percebem que vão morrer. As coisas mais importantes para os seres humanos são ar limpo e água limpa e as árvores e plantas nos dão isso. Tudo está sendo sujado, poluído para sempre. Ar sujo, água suja, sujando o coração dos homens.
domingo, 24 de maio de 2009
quarta-feira, 13 de maio de 2009
Homem um Bicho Cultural
Talvez seja um ponto óbvio para muito mas vou contar um segrego aqui: nós não somos a única cultura deste mundo! Quando falo isso não quero dizer cultura carioca, cultura nordestina ou cultura brasileira. Falo desta nossa cultura amplamente difundida na Terra herança européia de uma longa história de genocídios (que ocorrem até o presente momento).
Apesar dos genocídios praticados ao longo da história do homem sedentário (10.000 anos), ainda podemos ver hoje em dia etnias de tribos isoladas no Acre, aborígenas na Austrália e tribos Africanas (além de muitos outras culturas). Essas culturas diferem de muitas maneiras da nossa e o que eu quero expor é o modo de vida e o seu tempo de existência. Nossa cultura como homem sedentário tem alguns milhares de anos, já a deles centenas de milhares de anos. A cultura desses povos segue uma lei básica da natureza evolutiva de todas as espécies: não exterminar nenhuma espécie e nem impossibilitar outra espécie de se alimentar. A nossa pratica uma agricultura totalitária e executa genocídios e extermínios de espécies.
Esse tema é amplo e polêmico por isso paro por aqui. Mas antes coloco uma questão. Será que nossa cultura é mais forte e por isso dominou as outras? Ou será que nesta curta história da nossa cultura ainda vamos sofrer grandes consequências, em resposta ao nosso modo de viver que quebrou algumas leis da natureza, nunca antes quebrada por nenhuma espécie ou cultura.
Apesar dos genocídios praticados ao longo da história do homem sedentário (10.000 anos), ainda podemos ver hoje em dia etnias de tribos isoladas no Acre, aborígenas na Austrália e tribos Africanas (além de muitos outras culturas). Essas culturas diferem de muitas maneiras da nossa e o que eu quero expor é o modo de vida e o seu tempo de existência. Nossa cultura como homem sedentário tem alguns milhares de anos, já a deles centenas de milhares de anos. A cultura desses povos segue uma lei básica da natureza evolutiva de todas as espécies: não exterminar nenhuma espécie e nem impossibilitar outra espécie de se alimentar. A nossa pratica uma agricultura totalitária e executa genocídios e extermínios de espécies.
Esse tema é amplo e polêmico por isso paro por aqui. Mas antes coloco uma questão. Será que nossa cultura é mais forte e por isso dominou as outras? Ou será que nesta curta história da nossa cultura ainda vamos sofrer grandes consequências, em resposta ao nosso modo de viver que quebrou algumas leis da natureza, nunca antes quebrada por nenhuma espécie ou cultura.
sábado, 2 de maio de 2009
Marcha da Maconha - Dia 9 de maio - Sabado - Posto 9 Ipanema - 15h
Eu apoio abertamente a legalização da maconha e você? Porque uma erva medicinal deveria ser proibida? Porque uma planta com ampla função industrial deveria ser proibida? Porque se gastar tempo, energia (dinheiro) com isso? Porque tanta hipocrisia? Porque tanta desinformação sobre o assunto? Porque tanto tabu? Penso que muitos setores da nosso sociedade estão ganhando com está ilegalidade. Por isso o debate não é interessante para estes indivíduos que só querem sugar a nossa já decadente sociedade. Cada vez mais vejo que precisamos nos mobilizar porque sem a mobilização não há mudança. Se esperarmos sentados nada muda! É preciso debater abertamente a questão. Informação antes do debate! Se informem e depois tomem um posicionamento.
Carta Aberta à Sociedade Brasileira
Sobre a necessidade de debater a maconha
Por, Sergio Vidal [1]
Visualizar em http://www.marchadamaconha.org/blog/carta-aberta-a-nacao-brasileira_742
Carta Aberta à Sociedade Brasileira
Sobre a necessidade de debater a maconha
Por, Sergio Vidal [1]
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