sábado, 21 de novembro de 2009



Força da paz
Cresça sempre, sempre mais
Que reine a paz e acabem as fronteiras
Nós somos um

Amor, amor, amor, amor, amor
Essa canção é do amor

domingo, 1 de novembro de 2009

Carta Aberta a Comunidade

Prezados amigos terráqueos,



Sinto que estamos passando por um momento de profundas transformações, principalmente no que diz respeito ao meio-ambiente e à forma como nos relacionamos e usufruímos de seus recursos. Felizmente, percebo que iniciativas diversas, as quais buscam alternativas para a preservação do planeta, proliferam ao nosso redor, o que me inspirou a agir de alguma maneira. Por isso, hoje, em pleno domingo, resolvi escrever esta carta aberta à comunidade.



A maneira como nos organizamos sobre a Terra, em termos sociais e econômicos, segundo uma lógica de consumo e um paradigma urbano-industrial, vem se mostrando insustentável, se considerarmos que já consumimos, anualmente, 25% a mais dos recursos que nosso meio poderia oferecer. E o que é mais grave: se o mundo inteiro passar a seguir os padrões de consumo norte-americanos, europeus e japoneses, que são cada vez mais disseminados com a globalização, serão necessárias mais duas ou três Terras para suportar a demanda!



A poluição das águas marítimas e fluviais é iminente, bem como do ar, por meio de gases poluentes emitidos principalmente pela indústria e, como no caso brasileiro, por queimadas criminosas, ameaçando a atmosfera terrestre. As poucas florestas que nos restam vão dando lugar a uma ocupação humana desordenada ou à expansão desenfreada de fronteiras agropecuárias. Enfim, um cenário verdadeiramente distópico está sendo construído bem embaixo de nossos narizes!



Será, meu amigo, que isto irá durar para sempre? Será que os nossos netos poderão viver da mesma forma que você hoje? Com certeza não! A hora da mudança é agora. A "geração da mudança" já está sobre a Terra e precisamos fazer uma revolução em nossas mentes e corações. Amar mais, compartilhar, ter compaixão, pensar e cuidar do planeta como se fosse nossa casa, nosso quarto, nossa cama!



Para isto acontecer precisamos reduzir nosso consumo, precisamos distribuir nosso excedente, precisamos repensar nossos atos. Ação e reação. Tudo tem uma conseqüência. O nosso modo de viver também. Cada um tem sua forma de viver e pensar, e o que torna a humanidade tão maravilhosa é esta diferença, é está pluralidade subjetiva. Agora é o momento que precisamos olhar para os povos antigos, aqueles que ainda vivem de um modo sustentável, em harmonia com a natureza, e ter a humildade de aprender um pouco com os mesmos. Pois, apesar dos grandes avanços tecnológicos desenvolvidos pelo homem branco, o know-how então adquirido não está sendo direcionado devidamente para a solução das questões ambientais, por mais evidentes que sejam. É preciso, acima de tudo, um uso responsável e ético da tecnologia, que vise ao bem geral da humanidade e, por conseguinte, do planeta Terra.



A mudança que esperamos não virá de cima, isto é, não será uma iniciativa das autoridades, mas de cada um de nós. Nós somos o sistema; nós somos Brasília, nós somos o Brasil, nós somos a humanidade! Então que seja a hora de darmos este passo juntos para uma nova forma de viver. Vamos ser éticos, amigos terráqueos. Vamos ter cuidado com o planeta, cuidado com as pessoas, distribuir os excedentes, e dar limites ao consumo. Vamos fazer de hoje o 'amanhã' que desejamos para nossos filhos. Vamos brilhar, vamos nos perpetuar, vamos ser e prosseguir!



Muita esperança imprimo nessas palavras e na mudança que as mesmas poderão promover. Não se deixe levar pela força da rotina! Não caia na ociosidade, na alienação e na 'disfunção narcotizante' a que o sistema freqüentemente nos submete! Vamos pensar criticamente, refletir e AGIR!





Um grande abraço de apenas mais um terráqueo preocupado.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Ser humano: poético e prosaico

Disse um dos mais inspirados poetas alemães Friedrich Hölderin (1770-1843):”é poeticamente que o ser humano habita a Terra”. Completou-o mais tarde um pensador francês, Edgar Morin: ”é também prosaicamente que o ser humano habita a Terra”. Poesia e prosa, além de gêneros literários, expressam dois modos distintos de ser.

A poesia supõe a criação que faz com que a pessoa se sinta tomada por uma força maior que ela, que lhe traz conexões inusitadas, iluminações novas, rumos novos.

Sob a força da criação, a pessoa canta, sai da rotina e assume caminhos diferentes. Emerge então o xamã que se esconde dentro de cada um, aquela disposição que nos faz sintonizar com as energias do universo, que capta o pulsar do coração do outro, da natureza e do próprio Deus. Por esta capacidade se desocultam supreendentes sentidos do real.

“Habitar poeticamente a Terra” significa senti-la como algo vivo, evocativo, grandioso e mágico. A Terra são paisagens, cores, odores, imensidão, fascínio e mistério.

Como não se extasiar diante da majestade da floresta amazônica com suas árvores quais mãos ao alto tentando tocar as nuvens, com o emaranhado de seus cipós e trepadeiras, com as nuances sutis de seus verdes, vermelhos e amarelos, com os trinados das aves e a profusão de frutos?

Como não se quedar boquiaberto diante da imensidão das águas que se espraiam mato adentro e descem molemente para o oceano? Como não sentir-se tomado de temor reverencial quando se anda horas e horas pela floresta virgem como me tocou várias vezes com Chico Mendes?

Como não se sentir pequeno, perdido, bichinho insignificante face à incontável biodiversidade?

Habitamos poeticamente o mundo quando sentimos na pele o frescor da manhã, quando padecemos sob a canícula do sol a pino, quando serenamos com o cair esmaecido da tarde, quando nos invade o mistério da escuridão da noite.

Estremecemos, vibramos, nos enternecemos, nos aterramos extasiados diante da Terra em sua inesgotável vitalidade e no encontro com a pessoa amada. Então todos vivemos o modo de ser poético.

Lamentavelmente, são cegos e surdos e vítimas da lobotomia do paradigma positivista moderno aqueles que vêem a Terra simplesmente como laboratório de elementos físico-químicos, como um conglomerado desconexo de coisas justapostas. Não. Ela é viva, Mãe e Pacha Mama.

Mas habitamos também prosaicamente a Terra. A prosa recolhe o cotidiano e o dia-a-dia cinzento, feito de tensões familiares e sociais, com os horários e os deveres profissionais, com discretas alegrias e disfarçadas tristezas.

Mas o prosaico esconde também valores inestimáveis, descobertos depois de longa internação num hospital ou quando regressamos, pressurosos, após penosos meses fora de casa.

Nada mais suave que o desenrolar sereno e doce dos horários e dos afazeres caseiros e profissionais. Temos a sensação de uma navegação tranquila pelo mar da vida.

Poético e prosaico convivem, se complementam e se revezam de tempos em tempos. Temos que zelar pelo poético e pelo prosaico de nossas vidas, pois ambos se complementam e estão ameaçados de banalização.

A cultura de massas desnaturou o poético. O lazer que seria ocasião de ruptura do prosaico foi aprisionado pela cultura do entretenimento que incita ao excesso, ao consumo de álcool, de drogas e de sexo. É um poético domesticado, sem êxtase, um desfrute e sem encantamento.

O prosaico foi transformado em simples luta darwiniana pela sobrevivência, extenuando as pessoas com trabalhos monótomos, sem esperança de gozar de merecido lazer.

E quando chega o lazer, ficam reféns daqueles que já pensaram tudo para elas, organizaram suas viagens e fabricaram-lhes experiência inesquecíveis. E conseguiram. Mas como tudo é artificialmente induzido, o efeito final é um doloroso vazio existencial. E ai tome depressivos.

Saber viver com leveza o prosaico e com entusiasmo o poético é indicativo de uma vida densamente humana.

Por Leonardo Boff.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Reflexões sobre as Árvores

As árvores nascem, crescem, se reproduzem e se transformam. Elas criam beleza e a arte em suas formas é inegável. Têm uma sabedoria acumulada de muitas gerações e as mais criativas maneiras de se adaptarem mostram uma arte única e deslumbrante aos olhos de um observador. São a casa de muitos seres e providenciam, além de abrigo do sol ou da chuva, alimentos fartos para a comunidade da Terra. Atraem diversidade, água, inspiração e conectividade com o misterioso. O que mais posso lhes dizer? O que mais elas precisam nos mostrar? Como podemos ver esses seres vivos evoluidíssimos como simples objetos materiais inferiores? Como uma parte da comunidade da Terra que não possui inteligência? Enquanto nós ditos pensadores fazemos guerras e mergulhamos em poços de futilidades sem fim para viver! Me desculpem os antropocêntricos mas no meu curto caminho de vida percebi que estes seres que chamamos de árvores, têm uma sabedoria anos luz a frente da nossa. Observe, contemple e interaja. Plantemos árvores para criar abundância de sabedoria na Terra, criar vida, criar arte, criar inspiração, criar recursos. Que habilidade maravilhosa que o misterioso nos deu, plantar e favorecer o crescimento de seres iluminados e sábios.

Abundância

O medo acabou, não precisamos mais dele. Sem ele teremos abundância, com abundância teremos amor. Esta aí na sua frente. Quebre as amarras do medo e verá. Saia do paradigma competitivo e vivenciará. Não mais terá barreiras. É simples sim. Não fiquemos encabulados com uma solução simples para problemas tão complexos. É simples sim! E a hora é agora. O fluxo começa a virar de direção e o caldo a engrossar. Velhos, jovens, crianças, mosquitos, macacos e pererecas. Todos um só. A consciência se elevará e viveremos uma vida de verdade, uma vida de luz, de paz, de presença, de espírito, de cooperação. É possível sim! Basta querer! Simples sim. Viva a abundância de espírito na vida.

Vida e Morte

Viver para que
Viver para vê
Vê o que
Vê a vida
O que é vida
A vida é viva
E o que está vivo
Tudo está vivo
E o que está morto
Tudo está morto
Como é estar vivo e morto
Sendo como as árvores
que estão sempre se renovando
com seus galhos, folhas e sementes
E depois sua madeira
na Terra
Se transformando em terra e vida
Muita vida
e a vida gera morte
e a morte
vida
vida e morte
morte e vida

domingo, 30 de agosto de 2009

Poesia aflora no sertão

A Flor do Sertão

O Sertão é verde
O Sertão é frio
Chove sim, cai do céu
Sorriso tem
E confiança também
Povo trabalhador e tranquilo
Sem medo nos olhos
Felicidade Abundante
Simplicidade que vigora
Agora entendo
Como a vida
Mostra muitos jeitos
E o certo
Não há
Cada caminho é um
E o respeito ao caminho do próximo
é um belo começo de caminho
Possibilidades irradiantes encontro
nas flores
do sertão

Borboletas de Marizá

O que é, se faz possível
De todas as formas, e me disse
Em forma de borboleta: Amar
Além do concreto
Além do asfalto
Além do muro erguido
Além da fumaça
Além do mormaço
Além da linha de fogo, troca de tiros
Além do semáforo
Além da faixa de atropelamento
Pare. Atenção. Siga. Na contramão persista
Além do tráfego
Além do tráfico de
Órgão. Corpos. Seres vivos e não-vivos
Além do alçar vôo
De crianças de sete anos
Aeroporto de âncoras enferrujadas, kamikazes
de sonhos
Além dos sorrisos descoloridos
Além dos ternos monocromo-acinzentados
Além dos passos rápidos por falta de motivos
Além das janelas de repartições
Além de birôs de departamentos
Além de varas de jurisdições
Além de protocolos
Além das fixas de cadastros
Preenchimentos de segundas vias
Além de pulos de prédios com quinze andares
Além de jogar-se no trilho do trem
Além do compulsivo esbelto, anfetaminas.
Além, muito além de qualquer
Cerca eletrificada, documento de propriedade
Numero de identidade, registro civil
Além de nós mesmos, dentro de si mesmo
Além do olho-bisturi e ouvidos-ratoeira
Além da boca castradora
Encontrei céu aquarelado
Encontrei azul, nublado
Alaranjado, multicolor
Encontrei flores amarelas
Encontrei vermelho, rosa
Encontrei Mandacaru, Uricuri, Juá
Encontrei o pote
Onde fadas guardam perfumes
Polens reluzentes primaveris
Encontrei o pote dos duendes
E não havia as minhas sandálias
Achei seixos com pinturas de mandalas
Encontrei o pote onde arco-íris
Deságua, borboletas e grilos
Tocam a música que flori o sertão
Encontrei casa de oito lados
Cajueiros aos quais eu era neto
Encontrei ganso ou pato ou marreco ou Geraldo
Encontrei o caminho das pedras
Que rodopiavam até o Ganges
Lugar sagrado onde me encontrei
Encontrei a fogueira da minha inteireza
Onde o cacique alisa meus cabelos
Aquece minha face, afaga meus sonhos
Encontrei cura, sanação pelas mãos
Através das mãos, meditação
Sob estrelas e lua plena
Encontrei pedras altas
Onde o vale encantado se mostrava
Como grande sorriso de amor
Encontrei a bruxa branca
Semeadora do transformar
Encontrei-me novamente, ah... Marizá.

Por Philippe Wollney

As Peles do Homem - As Casas de Deus

Assim como a Mãe e seu Filho(a) compreendem, através de uma sabedoria Maior, um ao outro,
relacionando-se numa dança Sagrada, nuntrindo-se...
assim é a Sagrada Relação de todos os filhos e a Terra Mãe.

Nutrir-se um ao outro? não é a Mãe que sempre nutre ao filho?
...que é amamentado e sustentado por Sua Mãe?
de um certo ponto de vista isso é verdade...
entretanto também nutrimos nossa Mãe com partcipação ativa/criativa

... os fihos/as atingem sua maturidade e essa interação passa por suas transformações,
de filho, agora maduro ele(a) se transforma em amante, esposo e pai.
Um amante que agora ama a Terra,
um esposo que agora ama e semeia a Terra
um Pai que agora cuida da Terra e de seus filhos,
junto da agora Mãe, Esposa e Anciã.
E é Como Anciã a Terra nos diz sua Sabedoria.

Entretanto esquecemos como é ser Filhos,
quiçá esposos, e mais ainda não sabemos co-criar com a Terra, não sabemos ser Pai/Mãe com a Terra.
não sabemos mais ouvi-la como anciã.

"As Peles do Homem - As Casas de Deus"
propõem esse reaprendizado,
inspirado no trabalho do Austríaco Hunderwatsser,
que nos diz sobre As Peles do Homem(Ser Humano):
a primeira pele a Epiderme,
a Segunda pele nossa Roupa,
a terceira Pele a Casa,
a quarta pele a Sociedade, as relações,
a quinta pele o Eco, o Ambiente a Terra...
Já de saída essa concepção nos remete à responsabilidade enquanto parte ativa,
afetantes/afetados por todas as "peles"
d'onde cada pele influencia e é influenciada pelas outras...
todas "Casas de Deus"
onde agora não mais o Homem (ser humano) ocupa um lugar central/antropocêntrico
mas sim como sendo mais uma manifestação do Divino, da Divindade, de Deus Mãe Pai, que habita em todas as coisas,
em todas as "Casas", em todas as Peles.

E é aqui que entra a Permacultura,
como uma ciência Integrativa
que compreende as peles do Homem,
que compreende a integração entre as peles do Homem
e as Casas de Deus

fonte: http://www.humanaterra.blogspot.com/

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Passagem do Sertão...

"...esta visão realista materialista do mundo exilou-nos do mundo encantado em que vivíamos no passado e condenou-nos a um mundo alienígena. Quem, senão um exilado, arriscar-se-ia a destruir esta bela terra com a guerra nuclear e a poluição ambiental? Sentirmo-nos como exilados solapa nosso incentivo para mudar a perspectiva. Condicionaram-nos a acreditar que somos máquinas - que todas as nossas ações são determinadas pelos estímulos que recebemos e por nosso condicionamento anterior. Como exilados, não temos responsabilidade nem escolha. E o livre-arbítrio é uma miragem."

fonte: Amit Goswami - O UNIVERSO AUTOCONSCIENTE (consultado na biblioteca do Marizá Epicentro)

http://www.scribd.com/doc/3079992/Amit-Goswami-O-UNIVERSO-AUTOCONSCIENTE-Como-a-Consciencia-Cria-o-Mundo-Material?autodown=pdf