As vezes é pouco
louco
quase nada
Crescer crescer
Ouço falar
Descrente
Não posso mais
Vou decrescer
vou me miminizar
até quase desaparecer
sem glória
sem Roma
sem nada
apenas acompanhado
de tudo
"Que Deus nos livre de uma visão única do sono de Newton" William Blake
quinta-feira, 1 de abril de 2010
sábado, 27 de fevereiro de 2010
A Sociedade Mundial da Cegueira
Leonardo Boff *
O poeta Affonso Romano de Sant'Ana e o prêmio Nobel de literatura, o português José Saramago, fizeram da cegueira tema para críticas severas à sociedade atual, assentada sobre uma visão reducionista da realidade. Mostraram que há muitos presumidos videntes que são cegos e poucos cegos que são videntes.
Hoje propala-se pomposamente que vivemos sob a sociedade do conhecimento, uma espécie de nova era das luzes. Efetivamente assim é. Conhecemos cada vez mais sobre cada vez menos. O conhecimento especializado colonizou todas as áreas do saber. O saber de um ano é maior que todo saber acumulado dos últimos 40 mil anos. Se por um lado isso traz inegáveis benefícios, por outro, nos faz ignorantes sobre tantas dimensões, colocando-nos escamas sobre os olhos e assim impedindo-nos de ver a totalidade.O que está em jogo hoje é a totalidade do destino humano e o futuro da biosfera. Objetivamente estamos pavimentando uma estrada que nos poderá conduzir ao abismo. Por que este fato brutal não está sendo visto pela maioria dos especialistas nem dos chefes de Estado nem da grande mídia que pretende projetar os cenários possíveis do futuro? Simplesmente porque, majoritariamente, se encontram enclausurados em seus saberes específicos nos quais são muito competentes mas que, por isso mesmo, se fazem cegos para os gritantes problemas globais.
Quais dos grandes centros de análise mundial dos anos 60 previram a mudança climática dos anos 90? Que analistas econômicos com prêmio Nobel, anteviram a crise econômico-financeira que devastou os países centrais em 2008? Todos eram eminentes especialistas no seu campo limitado, mas idiotizados nas questões fundamentais. Geralmente é assim: só vemos o que entendemos. Como os especialistas entendem apenas a mínima parte que estudam, acabam vendo apenas esta mínima parte, ficando cegos para o todo. Mudar este tipo de saber cartesiano desmontaria hábitos científicos consagrados e toda uma visão de mundo.
É ilusória a independência dos territórios da física, da química, da biologia, da mecânica quântica e de outros. Todos os territórios e seus saberes são interdependentes, uma função do todo. Desta percepção nasceu a ciência do sistema Terra. Dela se derivou a teoria Gaia que não é tema da New Age; mas, resultado de minuciosa observação científica. Ela oferece a base para políticas globais de controle do aquecimento da Terra que, para sobreviver, tende a reduzir a biosfera e até o número dos organismos vivos, não excluídos os seres humanos.
Emblemática foi a COP-15 sobre as mudanças climáticas em Copenhague. Como a maioria na nossa cultura é refém do vezo da atomização dos saberes, o que predominou nos discursos dos chefes de Estado eram interesses parciais: taxas de carbono, níveis de aquecimento, cotas de investimento e outros dados parciais. A questão central era outra: que destino queremos para a totalidade que é a nossa Casa Comum? Que podemos fazer coletivamente para garantir as condições necessárias para Gaia continuar habitável por nós e por outros seres vivos?
Esses são problemas globais que transcendem nosso paradigma de conhecimento especializado. A vida não cabe numa fórmula, nem o cuidado numa equação de cálculo. Para captar esse todo precisa-se de uma leitura sistêmica junto com a razão cordial e compassiva, pois é esta razão que nos move à ação.
Temos que desenvolver urgentemente a capacidade de somar, de interagir, de religar, de repensar, de refazer o que foi desfeito e de inovar. Esse desafio se dirige a todos os especialistas para que se convençam de que a parte sem o todo não é parte. Da articulação de todos estes cacos de saber, redesenharemos o painel global da realidade a ser compreendida, amada e cuidada. Essa totalidade é o conteúdo principal da consciência planetária, esta sim, a era da luz maior que nos liberta da cegueira que nos aflige.
* Teólogo, filósofo e escritor
Leonardo Boff *
O poeta Affonso Romano de Sant'Ana e o prêmio Nobel de literatura, o português José Saramago, fizeram da cegueira tema para críticas severas à sociedade atual, assentada sobre uma visão reducionista da realidade. Mostraram que há muitos presumidos videntes que são cegos e poucos cegos que são videntes.
Hoje propala-se pomposamente que vivemos sob a sociedade do conhecimento, uma espécie de nova era das luzes. Efetivamente assim é. Conhecemos cada vez mais sobre cada vez menos. O conhecimento especializado colonizou todas as áreas do saber. O saber de um ano é maior que todo saber acumulado dos últimos 40 mil anos. Se por um lado isso traz inegáveis benefícios, por outro, nos faz ignorantes sobre tantas dimensões, colocando-nos escamas sobre os olhos e assim impedindo-nos de ver a totalidade.O que está em jogo hoje é a totalidade do destino humano e o futuro da biosfera. Objetivamente estamos pavimentando uma estrada que nos poderá conduzir ao abismo. Por que este fato brutal não está sendo visto pela maioria dos especialistas nem dos chefes de Estado nem da grande mídia que pretende projetar os cenários possíveis do futuro? Simplesmente porque, majoritariamente, se encontram enclausurados em seus saberes específicos nos quais são muito competentes mas que, por isso mesmo, se fazem cegos para os gritantes problemas globais.
Quais dos grandes centros de análise mundial dos anos 60 previram a mudança climática dos anos 90? Que analistas econômicos com prêmio Nobel, anteviram a crise econômico-financeira que devastou os países centrais em 2008? Todos eram eminentes especialistas no seu campo limitado, mas idiotizados nas questões fundamentais. Geralmente é assim: só vemos o que entendemos. Como os especialistas entendem apenas a mínima parte que estudam, acabam vendo apenas esta mínima parte, ficando cegos para o todo. Mudar este tipo de saber cartesiano desmontaria hábitos científicos consagrados e toda uma visão de mundo.
É ilusória a independência dos territórios da física, da química, da biologia, da mecânica quântica e de outros. Todos os territórios e seus saberes são interdependentes, uma função do todo. Desta percepção nasceu a ciência do sistema Terra. Dela se derivou a teoria Gaia que não é tema da New Age; mas, resultado de minuciosa observação científica. Ela oferece a base para políticas globais de controle do aquecimento da Terra que, para sobreviver, tende a reduzir a biosfera e até o número dos organismos vivos, não excluídos os seres humanos.
Emblemática foi a COP-15 sobre as mudanças climáticas em Copenhague. Como a maioria na nossa cultura é refém do vezo da atomização dos saberes, o que predominou nos discursos dos chefes de Estado eram interesses parciais: taxas de carbono, níveis de aquecimento, cotas de investimento e outros dados parciais. A questão central era outra: que destino queremos para a totalidade que é a nossa Casa Comum? Que podemos fazer coletivamente para garantir as condições necessárias para Gaia continuar habitável por nós e por outros seres vivos?
Esses são problemas globais que transcendem nosso paradigma de conhecimento especializado. A vida não cabe numa fórmula, nem o cuidado numa equação de cálculo. Para captar esse todo precisa-se de uma leitura sistêmica junto com a razão cordial e compassiva, pois é esta razão que nos move à ação.
Temos que desenvolver urgentemente a capacidade de somar, de interagir, de religar, de repensar, de refazer o que foi desfeito e de inovar. Esse desafio se dirige a todos os especialistas para que se convençam de que a parte sem o todo não é parte. Da articulação de todos estes cacos de saber, redesenharemos o painel global da realidade a ser compreendida, amada e cuidada. Essa totalidade é o conteúdo principal da consciência planetária, esta sim, a era da luz maior que nos liberta da cegueira que nos aflige.
* Teólogo, filósofo e escritor
sábado, 13 de fevereiro de 2010
Virá!

Um Índio
Doces Barbaros
Um índio descerá de uma estrela colorida e brilhante
De uma estrela que virá numa velocidade estonteante
E pousará no coração do hemisfério sul, na América, num claroinstante
Depois de exterminada a última nação indígena
E o espírito dos pássaros das fontes de água límpida
Mais avançado que a mais avançada das mais avançadas das tecnologias
Virá, impávido que nem Muhammed Ali, virá que eu vi
Apaixonadamente como Peri, virá que eu vi
Tranqüilo e infalível como Bruce Lee, virá que eu vi
O axé do afoxé, filhos de Ghandi, virá
Um índio preservado em pleno corpo físico
Em todo sólido, todo gás e todo líquido
Em átomos, palavras, alma, cor, em gesto e cheiro
Em sombra, em luz, em som magnífico
Num ponto equidistante entre o Atlântico e o Pacífico
Do objeto, sim, resplandecente descerá o índio
E as coisas que eu sei que ele dirá, fará, não sei dizer
Assim, de um modo explícito
Virá, impávido que nem Muhammed Ali, virá que eu vi
Apaixonadamente como Peri, virá que eu vi
Tranqüilo e infalível como Bruce Lee, virá que eu vi
O axé do afoxé, filhos de Ghandi, virá
E aquilo que nesse momento se revelará aos povos
Surpreenderá a todos, não por ser exótico
Mas pelo fato de poder ter sempre estado oculto
Quando terá sido o óbvio
Video do show => http://www.youtube.com/watch?v=N8hpK0lq5gk
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
Aldeia da Paz: Um Sonho Coletivo
A aldeia da paz é onde se torna possível
uma declaração de amor sincera
entre dois desconhecidos.
A aldeia da paz é onde a diversidade
é vista com encanto
e nos seus diversos olhares
nos apaixonamos.
Aldeia da paz é onde a possibilidade
se torna real
é onde a tentativa
de um outro mundo possível
acontece.
Durante os dias, com frequência, fugimos de nossos corações e foi na aldeia onde mais de cem corações pararam de fugir e resolveram se encontrar!
As palavras não são capazes de explicar o dia a dia do encontro, os cantos, as rodas, os rituais, as curas, o alimento, os olhares, tudo tão belo e magicamente inexplicável.
A aldeia da paz é o encontro eterno dos nossos corações.
Só com amor o mundo se transformará!
AHOOO!
fotos: http://www.iteia.org.br
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
Carta da União Pan-Indígena

Nós, povos indígenas do mundo, unidos numa grande Assembléia de homens sábios, declaramos a todas as nações:
quando a terra-mãe era nosso alimento,
quando a noite escura formava nosso teto,
quando o céu e a lua eram nossos pais,
quando todos éramos irmãos e irmãs,
quando nossos caciques e anciãos eram grandes líderes,
quando a justiça dirigia a lei e a sua execução,
aí outras civilizações chegaram!
Com fome de sague, de ouro, de terra e de todas as suas riquezas,
trazendo numa mão a cruz e na outra a espada, sem conhecer ou querer
aprender os costumes de nossos, nos classificaram abaixo dos
animais, roubaram nossas terras e nos levaram para longe delas,
transformando em escravos os "filhos do sol".
Entretanto não puderam nos eliminar!
Nem nos fazer esquecer o que somos,
porque somos a cultura da terra e do céu,
somos de uma ascendência milenar e somos milhões,
e mesmo que nosso universo inteiro seja destruído,
NÓS VIVEREMOS
por mais tempo que o império da morte!
Fonte:
24° ENCA - Ano 2000 - Encontro de Comunidades Alternativas
ABRASCA - Associação Brasileira de Comunidades Alternativas
TABA Pindorama - Sana - RJ - Brasil
Fonte da imagem:
http://www.fabiocampana.com.br/wp-content/uploads/2008/06/indios-fmcamgovbr.jpg
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
A hipermassificação da cultura

Trecho retirado do artigo "O Desejo asfixiado" por Bernard Stiegler da revista Le Monde Diplomatique Brasil de Janeiro de 2010.
"Mas uma "consciência" também é essencialmente uma singularidade. Não posso dizer 'eu' porque 'eu' define meu próprio tempo. As indústrias culturais são enormes dispositivos de sincronização, em particular a televisão, máquinas de aniquilamento do 'eu' que o francês Michel Foucault estudou as técnicas no final da vida. Quando dezenas e centenas de milhões de espectadores assistem simultaneamente ao mesmo programa em transmissão direta, essas consciências do mundo inteiro interiorizam os mesmos objetos temporais. E, se, todos os dias elas repetem, à mesma hora, e com regularidade, o mesmo comportamento de consumo audiovisual, fazendo crescer cada dia mais, acabam por transforma-se numa mesma pessoa - ou seja, ninguém. O inconsciente do rebanho dispara uma pulsão profunda que não mais libera os desejos individuais instintivos - porque isso implicaria numa singularidade."
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
Receita Milenar
Fonte: O EVANGELHO ESSÊNIO DA PAZ
Edmond Bordeaux Szekely
"“Como deveríamos cozer sem fogo o pão de cada dia, Mestre?”, perguntaram alguns com desconcerto.
Deixai que os anjos de Deus preparem vosso pão. Umedecei vosso trigo para que o anjo da água o penetre. Colocai-o então ao ar, para que o anjo do ar o abrace também. E deixai-o da manhã à tarde abaixo do sol, para que o anjo da luz do sol desça sobre ele. E a bênção dos três anjos fará com que o gérmen da vida brote em vosso trigo. Triturai então em migalhas e fazei finas fatias, como fizeram vossos antepassados quando partiram do Egito, terra da escravidão. Ponde-as de novo sob o sol e, quando este estiver no seu ponto mais alto no céu, virai-lhes ao contrário para que o anjo da luz do sol as abrace também pelo outro lado, e deixai-os assim até que o sol se ponha. Pois os anjos da água, do ar e da luz do sol alimentaram e maturaram o trigo no campo, e eles devem igualmente preparar também vosso pão. E o mesmo sol que, com o fogo da vida, fez com que o trigo crescesse e maturasse, deve cozer vosso pão com o mesmo fogo. Pois o fogo do sol dá vida ao trigo, ao pão e ao corpo. Porém o fogo da morte mata o trigo, o pão e o corpo. E os anjos vivos do Deus Vivo somente servem a homens vivos, Pois deus é o Deus do vivo e não Deus do morto."
Edmond Bordeaux Szekely
"“Como deveríamos cozer sem fogo o pão de cada dia, Mestre?”, perguntaram alguns com desconcerto.
Deixai que os anjos de Deus preparem vosso pão. Umedecei vosso trigo para que o anjo da água o penetre. Colocai-o então ao ar, para que o anjo do ar o abrace também. E deixai-o da manhã à tarde abaixo do sol, para que o anjo da luz do sol desça sobre ele. E a bênção dos três anjos fará com que o gérmen da vida brote em vosso trigo. Triturai então em migalhas e fazei finas fatias, como fizeram vossos antepassados quando partiram do Egito, terra da escravidão. Ponde-as de novo sob o sol e, quando este estiver no seu ponto mais alto no céu, virai-lhes ao contrário para que o anjo da luz do sol as abrace também pelo outro lado, e deixai-os assim até que o sol se ponha. Pois os anjos da água, do ar e da luz do sol alimentaram e maturaram o trigo no campo, e eles devem igualmente preparar também vosso pão. E o mesmo sol que, com o fogo da vida, fez com que o trigo crescesse e maturasse, deve cozer vosso pão com o mesmo fogo. Pois o fogo do sol dá vida ao trigo, ao pão e ao corpo. Porém o fogo da morte mata o trigo, o pão e o corpo. E os anjos vivos do Deus Vivo somente servem a homens vivos, Pois deus é o Deus do vivo e não Deus do morto."
domingo, 13 de dezembro de 2009
Apocalipse Agora
Por Frei Betto
O fim do mundo sempre me pareceu algo muito longínquo. Até um contrassenso. Deus haveria de destruir sua Criação? Hoje me convenço de que Deus nem precisa mais pensar em novo dilúvio. O próprio ser humano começou a provocá-lo, através da degradação da natureza.
Os bens da Terra tornaram-se posse privada de empresas e oligopólios. A causa de 4 bilhões de seres humanos viverem abaixo da linha da pobreza, e 1,2 bilhão padecer fome, é uma só: toda essa gente foi impedida de acesso à terra, à água, à semente, às novas técnicas de cultivo e aos sistemas de comercialização de produtos.
A decisão dos EUA e da China de ignorarem a Conferência de Copenhague sobre Mudanças Climáticas torna mais agônico o grito da Terra. Os dois países são os principais emissores de CO2 na atmosfera. São os grandes culpados pelo aquecimento global. Ao decidirem boicotar Copenhague e adiar o compromisso de reduzirem suas emissões, eles abreviam a agonia do planeta.
Felizmente, a 25 de novembro o presidente Obama, sob forte pressão, voltou atrás e desdisse o que falara em Pequim. Os EUA, responsáveis por 23% das emissões mundiais de CO2, prometerá em Copenhague reduzir, até 2020, 17% das emissões de gases de efeito estufa; 30% até 2025; e 42% até 2030.
Por que o recuo? Além da pressão dos ecologistas, Obama deu-se conta de que ficaria mal na foto ignorar Copenhague e comparecer em Oslo, dia 10 de dezembro – quando se comemora o 61º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos – para receber o prêmio Nobel da Paz. Portanto, na véspera estará na capital da Dinamarca.
Curioso, todos os prêmios Nobel são entregues em Estocolmo, exceto o da Paz. Por uma simples e cínica razão: a fortuna da Fundação Nobel, sediada na Suécia, resulta da herança do inventor da dinamite, Alfred Nobel (1833-1896), utilizada como explosivo em guerras. Como não teve filhos, Nobel destinou os lucros obtidos por sua patente a quem se destacar em determinadas áreas do saber.
Há uma lógica atrás da posição ecocida dos EUA e da China. São dois países capitalistas. O primeiro, abraça o capitalismo de mercado; o segundo, o de Estado. Ambos coincidem no objetivo maior: a lucratividade, não a sustentabilidade.
O capitalismo, como sistema, não tem solução para a crise ecológica. Sabe que medidas de efeito haverão de redundar inevitavelmente na redução dos lucros, do crescimento do PIB, da acumulação de riquezas.
Se vivesse hoje, Marx haveria de admitir que a crise do capitalismo já não resulta das contradições das forças produtivas. Resulta do projeto tecnocientífico que beneficia quase que exclusivamente apenas 20% da população mundial. Esse projeto respalda-se numa visão de qualidade de vida que coincide com a opulência e o luxo. Sua lógica se resume a “consumo, logo existo”. Como dizia Gandhi, "a Terra satisfaz as necessidades de todos, menos a voracidade dos consumistas".
Exemplo disso é a recente crise financeira. Diante da ameaça de quebra dos bancos, como reagiram os governos das nações ricas? Abasteceram de recursos as famílias inadimplentes, possibilitando-as de conservar suas casas? Nada disso. Canalizaram fortunas – um total de US$ 18 trilhões - para os bancos responsáveis pela crise. Eduardo Galeano chegou a pensar em lançar a campanha “Adote um banqueiro”, tal o desespero no setor.
O planeta em que vivemos já atingiu os seus limites físicos. Por enquanto não há como buscar recursos fora dele. O jeito é preservar o que ainda não foi totalmente destruído pela ganância humana, como as fontes de água potável, e tentar recuperar o que for possível através da despoluição de rios e mares e do reflorestamento de áreas desmatadas.
Ecologia vem do grego "oikos", significa casa, e "logos", conhecimento. Portanto, é a ciência que estuda as condições da natureza e as relações que entre tudo que existe - pois tudo que existe co-existe, pré-existe e subsiste. A ecologia trata, pois, das conexões entre os organismos vivos, como plantas e animais (incluindo homens e mulheres), e o seu meio ambiente.
Essa visão de interdependência entre todos os seres da natureza foi perdida pelo capitalismo. Nisso ajudou uma interpretação equivocada da Bíblia - a ideia de que Deus criou tudo e, por fim, entregou aos seres humanos para que "dominassem" a Terra. Esse domínio virou sinônimo de espoliação, estupro, exploração. Os rios foram poluídos; os mares, contaminados; o ar que respiramos, envenenado.
Agora, corremos contra o relógio do tempo. O Apocalipse desponta no horizonte e só há uma maneira de evitá-lo: passar do paradigma de lucratividade para o da sustentabilidade.
O fim do mundo sempre me pareceu algo muito longínquo. Até um contrassenso. Deus haveria de destruir sua Criação? Hoje me convenço de que Deus nem precisa mais pensar em novo dilúvio. O próprio ser humano começou a provocá-lo, através da degradação da natureza.
Os bens da Terra tornaram-se posse privada de empresas e oligopólios. A causa de 4 bilhões de seres humanos viverem abaixo da linha da pobreza, e 1,2 bilhão padecer fome, é uma só: toda essa gente foi impedida de acesso à terra, à água, à semente, às novas técnicas de cultivo e aos sistemas de comercialização de produtos.
A decisão dos EUA e da China de ignorarem a Conferência de Copenhague sobre Mudanças Climáticas torna mais agônico o grito da Terra. Os dois países são os principais emissores de CO2 na atmosfera. São os grandes culpados pelo aquecimento global. Ao decidirem boicotar Copenhague e adiar o compromisso de reduzirem suas emissões, eles abreviam a agonia do planeta.
Felizmente, a 25 de novembro o presidente Obama, sob forte pressão, voltou atrás e desdisse o que falara em Pequim. Os EUA, responsáveis por 23% das emissões mundiais de CO2, prometerá em Copenhague reduzir, até 2020, 17% das emissões de gases de efeito estufa; 30% até 2025; e 42% até 2030.
Por que o recuo? Além da pressão dos ecologistas, Obama deu-se conta de que ficaria mal na foto ignorar Copenhague e comparecer em Oslo, dia 10 de dezembro – quando se comemora o 61º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos – para receber o prêmio Nobel da Paz. Portanto, na véspera estará na capital da Dinamarca.
Curioso, todos os prêmios Nobel são entregues em Estocolmo, exceto o da Paz. Por uma simples e cínica razão: a fortuna da Fundação Nobel, sediada na Suécia, resulta da herança do inventor da dinamite, Alfred Nobel (1833-1896), utilizada como explosivo em guerras. Como não teve filhos, Nobel destinou os lucros obtidos por sua patente a quem se destacar em determinadas áreas do saber.
Há uma lógica atrás da posição ecocida dos EUA e da China. São dois países capitalistas. O primeiro, abraça o capitalismo de mercado; o segundo, o de Estado. Ambos coincidem no objetivo maior: a lucratividade, não a sustentabilidade.
O capitalismo, como sistema, não tem solução para a crise ecológica. Sabe que medidas de efeito haverão de redundar inevitavelmente na redução dos lucros, do crescimento do PIB, da acumulação de riquezas.
Se vivesse hoje, Marx haveria de admitir que a crise do capitalismo já não resulta das contradições das forças produtivas. Resulta do projeto tecnocientífico que beneficia quase que exclusivamente apenas 20% da população mundial. Esse projeto respalda-se numa visão de qualidade de vida que coincide com a opulência e o luxo. Sua lógica se resume a “consumo, logo existo”. Como dizia Gandhi, "a Terra satisfaz as necessidades de todos, menos a voracidade dos consumistas".
Exemplo disso é a recente crise financeira. Diante da ameaça de quebra dos bancos, como reagiram os governos das nações ricas? Abasteceram de recursos as famílias inadimplentes, possibilitando-as de conservar suas casas? Nada disso. Canalizaram fortunas – um total de US$ 18 trilhões - para os bancos responsáveis pela crise. Eduardo Galeano chegou a pensar em lançar a campanha “Adote um banqueiro”, tal o desespero no setor.
O planeta em que vivemos já atingiu os seus limites físicos. Por enquanto não há como buscar recursos fora dele. O jeito é preservar o que ainda não foi totalmente destruído pela ganância humana, como as fontes de água potável, e tentar recuperar o que for possível através da despoluição de rios e mares e do reflorestamento de áreas desmatadas.
Ecologia vem do grego "oikos", significa casa, e "logos", conhecimento. Portanto, é a ciência que estuda as condições da natureza e as relações que entre tudo que existe - pois tudo que existe co-existe, pré-existe e subsiste. A ecologia trata, pois, das conexões entre os organismos vivos, como plantas e animais (incluindo homens e mulheres), e o seu meio ambiente.
Essa visão de interdependência entre todos os seres da natureza foi perdida pelo capitalismo. Nisso ajudou uma interpretação equivocada da Bíblia - a ideia de que Deus criou tudo e, por fim, entregou aos seres humanos para que "dominassem" a Terra. Esse domínio virou sinônimo de espoliação, estupro, exploração. Os rios foram poluídos; os mares, contaminados; o ar que respiramos, envenenado.
Agora, corremos contra o relógio do tempo. O Apocalipse desponta no horizonte e só há uma maneira de evitá-lo: passar do paradigma de lucratividade para o da sustentabilidade.
sábado, 21 de novembro de 2009
domingo, 1 de novembro de 2009
Carta Aberta a Comunidade
Prezados amigos terráqueos,
Sinto que estamos passando por um momento de profundas transformações, principalmente no que diz respeito ao meio-ambiente e à forma como nos relacionamos e usufruímos de seus recursos. Felizmente, percebo que iniciativas diversas, as quais buscam alternativas para a preservação do planeta, proliferam ao nosso redor, o que me inspirou a agir de alguma maneira. Por isso, hoje, em pleno domingo, resolvi escrever esta carta aberta à comunidade.
A maneira como nos organizamos sobre a Terra, em termos sociais e econômicos, segundo uma lógica de consumo e um paradigma urbano-industrial, vem se mostrando insustentável, se considerarmos que já consumimos, anualmente, 25% a mais dos recursos que nosso meio poderia oferecer. E o que é mais grave: se o mundo inteiro passar a seguir os padrões de consumo norte-americanos, europeus e japoneses, que são cada vez mais disseminados com a globalização, serão necessárias mais duas ou três Terras para suportar a demanda!
A poluição das águas marítimas e fluviais é iminente, bem como do ar, por meio de gases poluentes emitidos principalmente pela indústria e, como no caso brasileiro, por queimadas criminosas, ameaçando a atmosfera terrestre. As poucas florestas que nos restam vão dando lugar a uma ocupação humana desordenada ou à expansão desenfreada de fronteiras agropecuárias. Enfim, um cenário verdadeiramente distópico está sendo construído bem embaixo de nossos narizes!
Será, meu amigo, que isto irá durar para sempre? Será que os nossos netos poderão viver da mesma forma que você hoje? Com certeza não! A hora da mudança é agora. A "geração da mudança" já está sobre a Terra e precisamos fazer uma revolução em nossas mentes e corações. Amar mais, compartilhar, ter compaixão, pensar e cuidar do planeta como se fosse nossa casa, nosso quarto, nossa cama!
Para isto acontecer precisamos reduzir nosso consumo, precisamos distribuir nosso excedente, precisamos repensar nossos atos. Ação e reação. Tudo tem uma conseqüência. O nosso modo de viver também. Cada um tem sua forma de viver e pensar, e o que torna a humanidade tão maravilhosa é esta diferença, é está pluralidade subjetiva. Agora é o momento que precisamos olhar para os povos antigos, aqueles que ainda vivem de um modo sustentável, em harmonia com a natureza, e ter a humildade de aprender um pouco com os mesmos. Pois, apesar dos grandes avanços tecnológicos desenvolvidos pelo homem branco, o know-how então adquirido não está sendo direcionado devidamente para a solução das questões ambientais, por mais evidentes que sejam. É preciso, acima de tudo, um uso responsável e ético da tecnologia, que vise ao bem geral da humanidade e, por conseguinte, do planeta Terra.
A mudança que esperamos não virá de cima, isto é, não será uma iniciativa das autoridades, mas de cada um de nós. Nós somos o sistema; nós somos Brasília, nós somos o Brasil, nós somos a humanidade! Então que seja a hora de darmos este passo juntos para uma nova forma de viver. Vamos ser éticos, amigos terráqueos. Vamos ter cuidado com o planeta, cuidado com as pessoas, distribuir os excedentes, e dar limites ao consumo. Vamos fazer de hoje o 'amanhã' que desejamos para nossos filhos. Vamos brilhar, vamos nos perpetuar, vamos ser e prosseguir!
Muita esperança imprimo nessas palavras e na mudança que as mesmas poderão promover. Não se deixe levar pela força da rotina! Não caia na ociosidade, na alienação e na 'disfunção narcotizante' a que o sistema freqüentemente nos submete! Vamos pensar criticamente, refletir e AGIR!
Um grande abraço de apenas mais um terráqueo preocupado.
Sinto que estamos passando por um momento de profundas transformações, principalmente no que diz respeito ao meio-ambiente e à forma como nos relacionamos e usufruímos de seus recursos. Felizmente, percebo que iniciativas diversas, as quais buscam alternativas para a preservação do planeta, proliferam ao nosso redor, o que me inspirou a agir de alguma maneira. Por isso, hoje, em pleno domingo, resolvi escrever esta carta aberta à comunidade.
A maneira como nos organizamos sobre a Terra, em termos sociais e econômicos, segundo uma lógica de consumo e um paradigma urbano-industrial, vem se mostrando insustentável, se considerarmos que já consumimos, anualmente, 25% a mais dos recursos que nosso meio poderia oferecer. E o que é mais grave: se o mundo inteiro passar a seguir os padrões de consumo norte-americanos, europeus e japoneses, que são cada vez mais disseminados com a globalização, serão necessárias mais duas ou três Terras para suportar a demanda!
A poluição das águas marítimas e fluviais é iminente, bem como do ar, por meio de gases poluentes emitidos principalmente pela indústria e, como no caso brasileiro, por queimadas criminosas, ameaçando a atmosfera terrestre. As poucas florestas que nos restam vão dando lugar a uma ocupação humana desordenada ou à expansão desenfreada de fronteiras agropecuárias. Enfim, um cenário verdadeiramente distópico está sendo construído bem embaixo de nossos narizes!
Será, meu amigo, que isto irá durar para sempre? Será que os nossos netos poderão viver da mesma forma que você hoje? Com certeza não! A hora da mudança é agora. A "geração da mudança" já está sobre a Terra e precisamos fazer uma revolução em nossas mentes e corações. Amar mais, compartilhar, ter compaixão, pensar e cuidar do planeta como se fosse nossa casa, nosso quarto, nossa cama!
Para isto acontecer precisamos reduzir nosso consumo, precisamos distribuir nosso excedente, precisamos repensar nossos atos. Ação e reação. Tudo tem uma conseqüência. O nosso modo de viver também. Cada um tem sua forma de viver e pensar, e o que torna a humanidade tão maravilhosa é esta diferença, é está pluralidade subjetiva. Agora é o momento que precisamos olhar para os povos antigos, aqueles que ainda vivem de um modo sustentável, em harmonia com a natureza, e ter a humildade de aprender um pouco com os mesmos. Pois, apesar dos grandes avanços tecnológicos desenvolvidos pelo homem branco, o know-how então adquirido não está sendo direcionado devidamente para a solução das questões ambientais, por mais evidentes que sejam. É preciso, acima de tudo, um uso responsável e ético da tecnologia, que vise ao bem geral da humanidade e, por conseguinte, do planeta Terra.
A mudança que esperamos não virá de cima, isto é, não será uma iniciativa das autoridades, mas de cada um de nós. Nós somos o sistema; nós somos Brasília, nós somos o Brasil, nós somos a humanidade! Então que seja a hora de darmos este passo juntos para uma nova forma de viver. Vamos ser éticos, amigos terráqueos. Vamos ter cuidado com o planeta, cuidado com as pessoas, distribuir os excedentes, e dar limites ao consumo. Vamos fazer de hoje o 'amanhã' que desejamos para nossos filhos. Vamos brilhar, vamos nos perpetuar, vamos ser e prosseguir!
Muita esperança imprimo nessas palavras e na mudança que as mesmas poderão promover. Não se deixe levar pela força da rotina! Não caia na ociosidade, na alienação e na 'disfunção narcotizante' a que o sistema freqüentemente nos submete! Vamos pensar criticamente, refletir e AGIR!
Um grande abraço de apenas mais um terráqueo preocupado.
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