terça-feira, 6 de outubro de 2009

Reflexões sobre as Árvores

As árvores nascem, crescem, se reproduzem e se transformam. Elas criam beleza e a arte em suas formas é inegável. Têm uma sabedoria acumulada de muitas gerações e as mais criativas maneiras de se adaptarem mostram uma arte única e deslumbrante aos olhos de um observador. São a casa de muitos seres e providenciam, além de abrigo do sol ou da chuva, alimentos fartos para a comunidade da Terra. Atraem diversidade, água, inspiração e conectividade com o misterioso. O que mais posso lhes dizer? O que mais elas precisam nos mostrar? Como podemos ver esses seres vivos evoluidíssimos como simples objetos materiais inferiores? Como uma parte da comunidade da Terra que não possui inteligência? Enquanto nós ditos pensadores fazemos guerras e mergulhamos em poços de futilidades sem fim para viver! Me desculpem os antropocêntricos mas no meu curto caminho de vida percebi que estes seres que chamamos de árvores, têm uma sabedoria anos luz a frente da nossa. Observe, contemple e interaja. Plantemos árvores para criar abundância de sabedoria na Terra, criar vida, criar arte, criar inspiração, criar recursos. Que habilidade maravilhosa que o misterioso nos deu, plantar e favorecer o crescimento de seres iluminados e sábios.

Abundância

O medo acabou, não precisamos mais dele. Sem ele teremos abundância, com abundância teremos amor. Esta aí na sua frente. Quebre as amarras do medo e verá. Saia do paradigma competitivo e vivenciará. Não mais terá barreiras. É simples sim. Não fiquemos encabulados com uma solução simples para problemas tão complexos. É simples sim! E a hora é agora. O fluxo começa a virar de direção e o caldo a engrossar. Velhos, jovens, crianças, mosquitos, macacos e pererecas. Todos um só. A consciência se elevará e viveremos uma vida de verdade, uma vida de luz, de paz, de presença, de espírito, de cooperação. É possível sim! Basta querer! Simples sim. Viva a abundância de espírito na vida.

Vida e Morte

Viver para que
Viver para vê
Vê o que
Vê a vida
O que é vida
A vida é viva
E o que está vivo
Tudo está vivo
E o que está morto
Tudo está morto
Como é estar vivo e morto
Sendo como as árvores
que estão sempre se renovando
com seus galhos, folhas e sementes
E depois sua madeira
na Terra
Se transformando em terra e vida
Muita vida
e a vida gera morte
e a morte
vida
vida e morte
morte e vida

domingo, 30 de agosto de 2009

Poesia aflora no sertão

A Flor do Sertão

O Sertão é verde
O Sertão é frio
Chove sim, cai do céu
Sorriso tem
E confiança também
Povo trabalhador e tranquilo
Sem medo nos olhos
Felicidade Abundante
Simplicidade que vigora
Agora entendo
Como a vida
Mostra muitos jeitos
E o certo
Não há
Cada caminho é um
E o respeito ao caminho do próximo
é um belo começo de caminho
Possibilidades irradiantes encontro
nas flores
do sertão

Borboletas de Marizá

O que é, se faz possível
De todas as formas, e me disse
Em forma de borboleta: Amar
Além do concreto
Além do asfalto
Além do muro erguido
Além da fumaça
Além do mormaço
Além da linha de fogo, troca de tiros
Além do semáforo
Além da faixa de atropelamento
Pare. Atenção. Siga. Na contramão persista
Além do tráfego
Além do tráfico de
Órgão. Corpos. Seres vivos e não-vivos
Além do alçar vôo
De crianças de sete anos
Aeroporto de âncoras enferrujadas, kamikazes
de sonhos
Além dos sorrisos descoloridos
Além dos ternos monocromo-acinzentados
Além dos passos rápidos por falta de motivos
Além das janelas de repartições
Além de birôs de departamentos
Além de varas de jurisdições
Além de protocolos
Além das fixas de cadastros
Preenchimentos de segundas vias
Além de pulos de prédios com quinze andares
Além de jogar-se no trilho do trem
Além do compulsivo esbelto, anfetaminas.
Além, muito além de qualquer
Cerca eletrificada, documento de propriedade
Numero de identidade, registro civil
Além de nós mesmos, dentro de si mesmo
Além do olho-bisturi e ouvidos-ratoeira
Além da boca castradora
Encontrei céu aquarelado
Encontrei azul, nublado
Alaranjado, multicolor
Encontrei flores amarelas
Encontrei vermelho, rosa
Encontrei Mandacaru, Uricuri, Juá
Encontrei o pote
Onde fadas guardam perfumes
Polens reluzentes primaveris
Encontrei o pote dos duendes
E não havia as minhas sandálias
Achei seixos com pinturas de mandalas
Encontrei o pote onde arco-íris
Deságua, borboletas e grilos
Tocam a música que flori o sertão
Encontrei casa de oito lados
Cajueiros aos quais eu era neto
Encontrei ganso ou pato ou marreco ou Geraldo
Encontrei o caminho das pedras
Que rodopiavam até o Ganges
Lugar sagrado onde me encontrei
Encontrei a fogueira da minha inteireza
Onde o cacique alisa meus cabelos
Aquece minha face, afaga meus sonhos
Encontrei cura, sanação pelas mãos
Através das mãos, meditação
Sob estrelas e lua plena
Encontrei pedras altas
Onde o vale encantado se mostrava
Como grande sorriso de amor
Encontrei a bruxa branca
Semeadora do transformar
Encontrei-me novamente, ah... Marizá.

Por Philippe Wollney

As Peles do Homem - As Casas de Deus

Assim como a Mãe e seu Filho(a) compreendem, através de uma sabedoria Maior, um ao outro,
relacionando-se numa dança Sagrada, nuntrindo-se...
assim é a Sagrada Relação de todos os filhos e a Terra Mãe.

Nutrir-se um ao outro? não é a Mãe que sempre nutre ao filho?
...que é amamentado e sustentado por Sua Mãe?
de um certo ponto de vista isso é verdade...
entretanto também nutrimos nossa Mãe com partcipação ativa/criativa

... os fihos/as atingem sua maturidade e essa interação passa por suas transformações,
de filho, agora maduro ele(a) se transforma em amante, esposo e pai.
Um amante que agora ama a Terra,
um esposo que agora ama e semeia a Terra
um Pai que agora cuida da Terra e de seus filhos,
junto da agora Mãe, Esposa e Anciã.
E é Como Anciã a Terra nos diz sua Sabedoria.

Entretanto esquecemos como é ser Filhos,
quiçá esposos, e mais ainda não sabemos co-criar com a Terra, não sabemos ser Pai/Mãe com a Terra.
não sabemos mais ouvi-la como anciã.

"As Peles do Homem - As Casas de Deus"
propõem esse reaprendizado,
inspirado no trabalho do Austríaco Hunderwatsser,
que nos diz sobre As Peles do Homem(Ser Humano):
a primeira pele a Epiderme,
a Segunda pele nossa Roupa,
a terceira Pele a Casa,
a quarta pele a Sociedade, as relações,
a quinta pele o Eco, o Ambiente a Terra...
Já de saída essa concepção nos remete à responsabilidade enquanto parte ativa,
afetantes/afetados por todas as "peles"
d'onde cada pele influencia e é influenciada pelas outras...
todas "Casas de Deus"
onde agora não mais o Homem (ser humano) ocupa um lugar central/antropocêntrico
mas sim como sendo mais uma manifestação do Divino, da Divindade, de Deus Mãe Pai, que habita em todas as coisas,
em todas as "Casas", em todas as Peles.

E é aqui que entra a Permacultura,
como uma ciência Integrativa
que compreende as peles do Homem,
que compreende a integração entre as peles do Homem
e as Casas de Deus

fonte: http://www.humanaterra.blogspot.com/

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Passagem do Sertão...

"...esta visão realista materialista do mundo exilou-nos do mundo encantado em que vivíamos no passado e condenou-nos a um mundo alienígena. Quem, senão um exilado, arriscar-se-ia a destruir esta bela terra com a guerra nuclear e a poluição ambiental? Sentirmo-nos como exilados solapa nosso incentivo para mudar a perspectiva. Condicionaram-nos a acreditar que somos máquinas - que todas as nossas ações são determinadas pelos estímulos que recebemos e por nosso condicionamento anterior. Como exilados, não temos responsabilidade nem escolha. E o livre-arbítrio é uma miragem."

fonte: Amit Goswami - O UNIVERSO AUTOCONSCIENTE (consultado na biblioteca do Marizá Epicentro)

http://www.scribd.com/doc/3079992/Amit-Goswami-O-UNIVERSO-AUTOCONSCIENTE-Como-a-Consciencia-Cria-o-Mundo-Material?autodown=pdf

terça-feira, 30 de junho de 2009

Pequenas citações

AOS ESFARRAPADOS DO MUNDO
E AOS QUE NELES SE
DESCOBREM E, ASSIM
DESCOBRINDO-SE, COM ELES
SOFREM, MAS, SOBRETUDO,
COM ELES LUTAM.

(Paulo Freire, Pedagogia do Oprimido)
http://www.scribd.com/doc/16963665/Paulo-Freire-Pedagogia-do-Oprimido



"Assistimos ao esforço fantástico dos monopolizadores do ter, do saber e do poder para nos reduzir a simples galinhas. Para nos manter somente nos limites estritos do galinheiro e do terreiro. Para nos subordinar aos seus interesses. Eles são os principais responsáveis pelas ameaças de devastação e de autodestruição que pesam sobre a Terra e sobre toda a humanidade. Para continuar a usufruir dos privilégios usurpados, se fazem surdos ao clamor dos milhões e milhões de sofredores de todo o mundo e surdos ao grito lancinante da Terra. Atrevem-se a sufocar nossa águia interior, águia que nos impulsiona a gritar, a protestar, a resistir e a buscar caminhos de libertação."

(Leonardo Boff, A Águia e a Galinha)
http://www.scribd.com/doc/16963652/Leonardo-Boff-A-Aguia-E-A-Galinha

domingo, 14 de junho de 2009

sábado, 13 de junho de 2009

Desafio Ético

Ao viajar pelo Oriente, mantive contatos com monges do Tibete,
da Mongólia, do Japão e da China.
Eram homens serenos, comedidos, recolhidos em paz em seus
mantos cor de açafrão.
Outro dia, eu observava o movimento do aeroporto de São Paulo: a
sala de espera cheia de executivos,
com telefones celulares, preocupados, ansiosos, geralmente
comendo mais do que deviam.
Com certeza, já haviam tomado café da manhã em casa,
mas como a companhia aérea oferecia um outro café, todos
comiam vorazmente.
Aquilo me fez refletir: "Qual dos dois modelos produz felicidade?"
Encontrei Daniela, 10 anos, no elevador, às nove da manhã, e
perguntei: "Não foi à aula?"
Ela respondeu: "Não, tenho aula à tarde".
Comemorei: "Que bom, então de manhã você pode brincar, dormir
até mais tarde".
"Não", retrucou ela, "tenho tanta coisa de manhã..." "Que tanta
coisa?", perguntei.
"Aulas de inglês, de balé, de pintura, piscina", e começou a elencar
seu programa de garota robotizada.
Fiquei pensando: "Que pena, a Daniela não disse: "Tenho aula de
meditação!"
Estamos construindo super-homens e super-mulheres, totalmente
equipados, mas emocionalmente infantilizados.
Por isso as empresas consideram agora que, mais importante que o
QI, é a IE, a Inteligência Emocional.
Não adianta ser um super-executivo se não se consegue se
relacionar com as pessoas.
Ora, como seria importante os currículos escolares incluírem aulas
de meditação!
Uma progressista cidade do interior de São Paulo tinha, em 1960,
seis livrarias e uma academia de ginástica;
hoje, tem sessenta academias de ginástica e três livrarias!
Não tenho nada contra malhar o corpo, mas me preocupo com a
desproporção em relação à malhação do espírito.
Acho ótimo, vamos todos morrer esbeltos:
"Como estava o defunto?".
"Olha, uma maravilha, não tinha uma celulite!"
Mas como fica a questão da subjetividade? Da espiritualidade? Da
ociosidade amorosa?
Outrora, falava-se em realidade: análise da realidade, inserir- se
na realidade, conhecer a realidade.
Hoje, a palavra é virtualidade. Tudo é virtual.
Pode-se fazer sexo virtual pela internet: não se pega AIDS, não há
envolvimento emocional, controla- se no mouse.
Trancado em seu quarto, em Brasília, um homem pode ter uma
amiga íntima em Tóquio, sem nenhuma preocupação de conhecer o
seu vizinho de prédio ou de quadra!
Tudo é virtual, entramos na virtualidade de todos os valores, não
há compromisso com o real!
É muito grave esse processo de abstração da linguagem, de
sentimentos:
somos místicos virtuais, religiosos virtuais, cidadãos virtuais.
Enquanto isso, a realidade vai por outro lado, pois somos também
eticamente virtuais.
A cultura começa onde a natureza termina. Cultura é o
refinamento do espírito.
Televisão, no Brasil - com raras e honrosas exceções -, é um
problema:
a cada semana que passa, temos a sensação de que ficamos um
pouco menos cultos.
A palavra hoje é 'entretenimento' ; domingo, então, é o dia
nacional da imbecilização coletiva.
Imbecil o apresentador, imbecil quem vai lá e se apresenta no
palco, imbecil quem perde a tarde diante da tela.
Como a publicidade não consegue vender felicidade, passa a ilusão
de que felicidade é o resultado da soma de prazeres:
"Se tomar este refrigerante, vestir este tênis, usar esta camisa,
comprar este carro, você chega lá!"
O problema é que, em geral, não se chega!
Quem cede desenvolve de tal maneira o desejo, que acaba
precisando de um analista.
Ou de remédios. Quem resiste, aumenta a neurose.
Os psicanalistas tentam descobrir o que fazer com o desejo dos
seus pacientes. Colocá-los onde?
Eu, que não sou da área, posso me dar o direito de apresentar uma
sugestão.
Acho que só há uma saída: virar o desejo para dentro.
Porque, para fora, ele não tem aonde ir!
O grande desafio é virar o desejo para dentro, gostar de si mesmo,
começar a ver o quanto é bom ser livre de todo esse
condicionamento globalizante, neoliberal, consumista.
Assim, pode-se viver melhor.
Aliás, para uma boa saúde mental três requisitos são
indispensáveis:
amizades, auto-estima, ausência de estresse.
Há uma lógica religiosa no consumismo pós-moderno.
Se alguém vai à Europa e visita uma pequena cidade onde há uma
catedral, deve procurar saber a história daquela cidade - a
catedral é o sinal de que ela tem história.
Na Idade Média, as cidades adquiriam status construindo uma
catedral; hoje, no Brasil, constrói-se um shopping center.
É curioso: a maioria dos shopping centers tem linhas arquitetônicas
de catedrais estilizadas;
neles não se pode ir de qualquer maneira, é preciso vestir roupa
de missa de domingos.
E ali dentro sente-se uma sensação paradisíaca: não há mendigos,
crianças de rua, sujeira pelas calçadas...
Entra-se naqueles claustros ao som do gregoriano pós-moderno,
aquela musiquinha de esperar dentista.
Observam-se os vários nichos, todas aquelas capelas com os
veneráveis objetos de consumo, acolitados por belas sacerdotisas.
Quem pode comprar à vista, sente- se no reino dos céus.
Se deve passar cheque pré-datado, pagar a crédito, entrar no
cheque especial, sente-se no purgatório.
Mas se não pode comprar, certamente vai se sentir no inferno...
Felizmente, terminam todos na eucaristia pós-moderna, irmanados
na mesma mesa, com o mesmo suco e o mesmo hambúrguer do
McDonald's.
Costumo advertir os balconistas que me cercam à porta das lojas:
"Estou apenas fazendo um passeio socrático."
Diante de seus olhares espantados, explico:
Sócrates, filósofo grego, também gostava de descansar a cabeça
percorrendo o centro comercial de Atenas.
Quando vendedores como vocês o assediavam, ele respondia:
"Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso
para ser feliz."
Frei Betto é escritor, autor, em parceria com Luis Fernando
Veríssimo e outros, de "O desafio ético" (Garamond).

fonte: http://www.scribd.com/doc/16117339/Desafio-Etico-Frei-Betto